Para o homem moderno, a teodiceia é necessária, e ao mesmo tempo falha da forma mais miserável: o próprio Deus se acusa e se rebola, por assim dizer, na sua própria lama teológica, e é precisamente isso que dá ao nosso mal-estar a sua natureza inconfundível. O abismo sobre o qual vacila a nossa razão não é o da necessidade, mas o da contingência e da banalidade do mal. Não se pode ser, nem culpado nem inocente de qualquer coisa de contingente: pode apenas ter-se vergonha disso, como quando, na rua, escorregamos numa casca de banana. O nosso Deus é um Deus que se envergonha. Mas, tal como toda a relutância trai, naquele que a experimenta, uma secreta solidariedade com o objecto do seu desprezo, assim também a vergonha é o sinal de uma inaudita e tremenda proximidade do homem em relação a si próprio. O sentimento de miséria é o último pudor do homem frente a si próprio, do mesmo modo que a contingência - sob o signo da qual parece agora desenrolar-se docilmente toda a sua existência - é a máscara que encobre o peso crescente que causas unicamente humanas exercem sobre os destinos da humanidade.
6 de Novembro de 2009
5 de Novembro de 2009
4 de Novembro de 2009
Ideia da Vertigem | Milan Kundera
É natural que quem quer «elevar-se» sempre mais, um dia, acaba por ter vertigens. O que são vertigens?
Medo de cair?
Mas então porque é que temos vertigens num miradoiro protegido com um parapeito?
As vertigens não são o medo de cair. É a voz do vazio por debaixo de nós que nos enfeitiça e atrai, o desejo de cair do qual, logo a seguir, nos protegemos com pavor.
29 de Outubro de 2009
O Ciclo de Pulga Estúdios
Pulga Estúdios regressou parcialmente ao seu censor e está a plenos pulmões no Facebook, pela mão, mais uma, de Herberto Helder.
28 de Outubro de 2009
27 de Outubro de 2009
A quiche e o arroz de pato
Algures num espaço
normalizado e estilizado pelos demais,
serve-se uma refeição frugal brutalizada pela condição artística e feminina – o famigerado arroz de pato, repasto de algozes temidos pela crítica aberta a todos mas sem inimigos e a saudosa quiche, apanágio de mulheres histéricas e absortas.
normalizado e estilizado pelos demais,
serve-se uma refeição frugal brutalizada pela condição artística e feminina – o famigerado arroz de pato, repasto de algozes temidos pela crítica aberta a todos mas sem inimigos e a saudosa quiche, apanágio de mulheres histéricas e absortas.
Estes dois pratos têm um denominador comum: a tua ausência e a minha teia. Nela consigo enredar fantasmas e ossadas que já nem tento sepultar. Talvez a minha mediocridade seja melhor do que a tua e nas duas mãos que rejeito há um papel: lê-se algures que definho! Primeiro assegura-te disso e depois não me procures pois eu nunca existi, sequer na tua sombra.
25 de Outubro de 2009
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