6 de Novembro de 2009

Ideia da Vergonha | Giorgio Agamben

Para o homem moderno, a teodiceia é necessária, e ao mesmo tempo falha da forma mais miserável: o próprio Deus se acusa e se rebola, por assim dizer, na sua própria lama teológica, e é precisamente isso que dá ao nosso mal-estar a sua natureza inconfundível. O abismo sobre o qual vacila a nossa razão não é o da necessidade, mas o da contingência e da banalidade do mal. Não se pode ser, nem culpado nem inocente de qualquer coisa de contingente: pode apenas ter-se vergonha disso, como quando, na rua, escorregamos numa casca de banana. O nosso Deus é um Deus que se envergonha. Mas, tal como toda a relutância trai, naquele que a experimenta, uma secreta solidariedade com o objecto do seu desprezo, assim também a vergonha é o sinal de uma inaudita e tremenda proximidade do homem em relação a si próprio. O sentimento de miséria é o último pudor do homem frente a si próprio, do mesmo modo que a contingência - sob o signo da qual parece agora desenrolar-se docilmente toda a sua existência - é a máscara que encobre o peso crescente que causas unicamente humanas exercem sobre os destinos da humanidade.

5 de Novembro de 2009

O repasto prossegue
besta de ti próprio
cultiva a tua senilidade.

Mais uma metáfora, por favor!

4 de Novembro de 2009

Ideia da Vertigem | Milan Kundera

É natural que quem quer «elevar-se» sempre mais, um dia, acaba por ter vertigens.

O que são vertigens?

Medo de cair?

Mas então porque é que temos vertigens num miradoiro protegido com um parapeito?


As vertigens não são o medo de cair. É a voz do vazio por debaixo de nós que nos enfeitiça e atrai, o desejo de cair do qual, logo a seguir, nos protegemos com pavor.

29 de Outubro de 2009

O Ciclo de Pulga Estúdios

Pulga Estúdios regressou parcialmente ao seu censor e está a plenos pulmões no Facebook, pela mão, mais uma, de Herberto Helder.


video
«Da Curva Sôfrega dos Teus Lábios»

28 de Outubro de 2009

«Quem será esta gente cor de fumo
que se evade dos meus sonhos?»

27 de Outubro de 2009

A quiche e o arroz de pato

Algures num espaço
normalizado e estilizado pelos demais,
serve-se uma refeição frugal brutalizada pela condição artística e feminina – o famigerado arroz de pato, repasto de algozes temidos pela crítica aberta a todos mas sem inimigos e a saudosa quiche, apanágio de mulheres histéricas e absortas.


Estes dois pratos têm um denominador comum: a tua ausência e a minha teia. Nela consigo enredar fantasmas e ossadas que já nem tento sepultar. Talvez a minha mediocridade seja melhor do que a tua e nas duas mãos que rejeito há um papel: lê-se algures que definho! Primeiro assegura-te disso e depois não me procures pois eu nunca existi, sequer na tua sombra.

25 de Outubro de 2009

Mercado Negro 2009